segunda-feira, 18 de abril de 2011

Fugindo pela Contra-Mão


Dona de cabelos avermelhados, seu rosto possui pequenas sardas, e recentemente ganhou de seu pai, uma bicicleta no mesmo tom de seus fios. Não é a única adolescente daquela casa, mas a única que possui rara calma e admirável inteligência. Costuma tratar com carinho aos irmãos, que sempre julgou carentes de amor, ainda que os pais jamais os negassem um beijo na testa de boa noite. Sua rotina deixa de ser cansativa no começo da tarde, quando usa seu tempo livre para pensar, fotografar, vestir, arrumar, ler ou simplesmente admirar, ato que aprendeu a muito tempo, quando ainda não possuía seu um metro e sessenta e cinco de altura.
É a obrigação de acordar cedo, que a tornou dependente de cafeína; e se a rotina precisa ser quebrada, para vermos um sorriso satisfatório no final do dia, a Starbucks mais próxima abre as portas, no mesmo instante em que abre os olhos. Mais um motivo para se manter de pé no vagão do metrô, e acordada no refeitório do colégio.
Colégio... lugar este, onde ouve falar sobre a quebra frequente de corações, ou talvez sobre o vestido da mini Lady, que apareceu rasgado no baile de máscaras da noite anterior. Mas qual é a garota que nunca sonhou ir a um baile? O problema não é a máscara, ou o vestido, o problema é a necessidade de voltar para onde nunca deveria ter saído. Sentir falta do que nos foi tomado tão de repente, é algo inevitável quando não podemos lutar contra as mudanças repentinas da vida.
Ela sentiu todos os olhares em sua direção, talvez fosse necessário mais um casaco, já que a neve pode parecer bonita, mas é cruel em certas épocas do ano! Naquele dia, voltou para casa com o lanche intacto, os lábios grudados de frio, e implorando por uma caneca de café, acompanhado de um edredom bem quente.
Sem que percebesse o tempo havia corrido, o próximo inverno não demoraria, e a neve parecia pronta e ansiosa para cair sobre seu telhado. Seus fios avermelhados pareciam seda, ao toque delicado dos dedos da mãe! Foi naquele mesmo inverno, quando percebeu sua maioridade se aproximar, que decidiu não mais sentir falta do que jamais deveria ter abandonado.
O avião acabara de pousar, e em poucos minutos, bateu desesperadamente na pequena porta de madeira velha, que conhecia tão bem... sem demora, ouviu o ruído sinalizando a abertura da porta!

- Estou de volta...

Foi naquela mesma noite que deixou de sentir frio, protegida da distância e do medo da perda. Ele a abraçava como quem jamais permitiria outra partida!

2 comentários:

  1. Oun *-* Não estou bem emocionalmente essa semana pra ler esses textos :')

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